O Fausto musical em Thomas Mann




          Doutor Fausto é um livro lançado em 1947, escrito por Paul Thomas Mann, que retrata a história de um estudante de teologia e pianista chamado Adrian Leverkühn, portador da sífilis, contraído por uma relação sexual com uma prostituta por quem era apaixonado. Por ser fascinado pela música e na busca pela perfeição e genialidade musical, ele acaba fazendo um pacto com uma entidade demoníaca chamada Mefistófeles, que consistia em obter vinte e quatro anos a mais de vida, e em contrapartida lhe renderia abnegar sua paixão pela prostituta, que culmina posteriormente em sua loucura.

Faust, Rembrandt (1650 - 1654)
           O livro faz alusão a uma famosa lenda alemã, O Fausto, que retratava a história do Dr. Johann Georg Faust (1480-1540) que segundo a lenda, fez um pacto com o demônio em troca de genialidade e conhecimento.

            Thomas Mann, ao reviver a lenda do Fausto, só que na figura de Adrian, tem como objetivo abordar o contexto da ascensão da Alemanha em guerra, onde tipologicamente o protagonista da história representa a Alemanha se rendendo ao nazismo, fazendo um comparativo de tal acontecimento com o pacto de Fausto com o demônio. Nessa abordagem, percebe-se também a comparação do declínio alemão com a culminância da loucura de Adrian, objetivando-se uma crítica ao contexto histórico da época onde, o humanismo é deixado de lado dando lugar ao niilismo, que provocou a guerra.

Serialismo


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      Mann retrata a genialidade musical de Leverkühn por meio da criação de uma nova forma de composição e organização da música. Para isso, se utiliza das formas musicais dodecafônicas, elaboradas pelo compositor Arnold Schoenberg, que consistiam em uma resposta ao romantismo cujo ápice alcança-se em Wagner, que diga-se de passagem era venerado por Hitler. Dessa forma, de todas as faces que O Fausto tem em tantas releituras, em Mann, ele adquire a forma musical.

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